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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Paciência, haja paciência


No mês passado o Guinness Book (popularmente conhecido como o Livro dos Recordes) concedeu o título de casal mais longevo a dois japoneses, ele com 108 anos de idade e ela com 100, e casados há 80 anos. Ao responder a pergunta fatal sobre qual o segredo para permanecer tanto tempo juntos, a senhora respondeu: “paciência, muita paciência...’.

Dá para perceber sobre o quanto paciência é vital? Por impaciência acaba-se um namoro, briga-se no trânsito, perde-se um cliente, um emprego, gera-se um mal-estar na família.... Quanto falta para aprendermos a lição? Na psicoterapia é muito frequente que casos de impaciência estejam associados à mobilização de ansiedade, e, talvez por isso, algumas pessoas busquem encontrar nos medicamentos ansiolíticos a sua “cura”. Entendo a ansiedade como um sintoma, uma consequência de algo. Assim como a febre ou a dor alertam-nos de que algo não vai bem e que precisamos investigar, a ansiedade tem o mesmo papel, pois ela não é a causa. Sob orientação profissional a medicação pode auxiliar para que a pessoa volte a um estado de equilíbrio, o que possibilitar-lhe-ia uma maior compreensão sobre os acontecimentos e consequente motivação para a tomada de novas atitudes.

É incrível ouvir de algumas pessoas a confissão convicta de que são ansiosos, como se isto fosse tão natural e imutável quanto à cor dos olhos. Um trabalho psicoterápico voltado à diminuição de ansiedade engloba novas práticas que busquem hábitos diferentes dos que vêm sendo realizados, e para isso, o quesito número um chama-se vontade. Mas não seria justo atribuir ao premiado casal japonês o convívio conjugal apenas por desígnio da vontade, pois cultivar a paciência implica também em saber lidar com outros fatores que independem da pessoa. Quantos desejam um relacionamento duradouro, mas não conseguem?  Uma lista enorme de atributos precisa ser considerada quando se busca o equilíbrio emocional e a tão almejada paciência. Ter a faculdade de saber esperar, em dias de eterna queixa de falta de tempo, é um atributo de altíssimo valor; sábio é aquele que desenvolve sua paciência mediante a ação e atitudes e que em algum momento será recompensado. A perseverança (como insistência saudável naquilo que se faz), o discernimento de que o que se busca está ao alcance e que, sem saltos, chegará lá, dão a dose de confiança necessária para tal.

É oportuno que lembremos da Oração da Serenidade, aquela que nos ensina a aceitar as coisas que não podemos modificar, que pede coragem para modificar aquelas que podemos, e sabedoria para conhecer a diferença entre elas. Um bom exercício de paciência.

César A R de Oliveira
Psicólogo